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Skills4genius em destaque no Jornal 'O JOGO'.

Skills4genius em destaque no Jornal 'O JOGO'.

A investigadora e docente da UTAD e ISMAI pretende descobrir quais os contextos e práticas que mais estimulam a criatividade das crianças do 1º ciclo, momento em que se dá um declínio neste domínio.

 

Comprova que existe relação entre o exercício físico e a criatividade. Isto é uma revelação ou apenas a confirmação de algo que a comunidade científica já suspeitava?

De facto, já existia uma tendência, visto que as evidências científicas recentes indicam que a prática de atividade física regular estimula o pensamento criativo. Contudo, pretendo com a minha investigação avançar com o conhecimento neste domínio e averiguar quais as práticas pedagógicas e quais os contextos desportivos que mais contribuem para o desenvolvimento desta predisposição. Neste sentido, criei o programa Skills4genius®, este foi implementado em escolas do 1º ciclo e revelou resultados promissores, nomeadamente o desenvolvimento do pensamento criativo em crianças entre os 6 e 10 anos de idade. Atualmente, o programa Skills4genius® está a ser implementado nas escolas do 1º ciclo de Vila Real e de São João da Madeira, num total de 250 crianças, ambicionando que nos próximos anos seja alargado a todo o País. A divulgação deste projeto conta com o apoio do Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD) e da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Como se vê a criatividade?

A criatividade é a capacidade de produzir soluções inovadoras, apropriadas e originais. Todos nós nascemos com potencial criativo, que vai diminuindo ao longo do tempo, condicionado pela nossa sociedade onde predomina um pensamento instituído, em detrimento do pensamento divergente, que é a capacidade de explorar mentalmente soluções novas e originais. O sistema educativo contribui bastante para acentuar este declínio, visto que a criatividade das crianças começa a diminuir assim que entram para a escola, mas é no 4º ano de escolaridade que se verifica uma queda muito acentuada. 

 

Há atividades mais propícias que outras para estimular o crescimento cognitivo das crianças?

A minha investigação veio reforçar a premissa que, de facto, existem contextos facilitadores do comportamento criativo e cognitivo. Existem abordagens e pressupostos que potenciam a promoção da criatividade, nomeadamente o “jogo de rua” que, apesar de estar em vias de extinção, tem a capacidade de recriar ambientes onde reina a imprevisibilidade e, por isso, as crianças são desafiadas a explorar e a adaptar-se. É essencial deixar as crianças brincarem livremente. Em simultâneo, a prática de várias modalidades desportivas tem assumido um papel de destaque, visto que as evidências recentes indicam que os jogadores mais criativos praticaram um maior número de modalidades desportivas durante a infância.

 

Como reagem as crianças e os educadores ao seu trabalho de investigação?

Quando confrontadas com programas que favorecem o potencial criativo como o Skills4genius, a motivação das crianças para criar e extrapolar as suas ideias aumenta consideravelmente. No fundo, é como se recuperassem a sua verdadeira identidade. Estes ambientes desafiam a sua imaginação, não se limitam a encontrar uma única solução, mas procuram que as crianças sejam capazes de criar e sugerir novas perguntas. Por sua vez, os educadores encaram com entusiamo e reconhecem a importância de promover nos jovens uma predisposição para criar, inovar e ser original nas suas ideias que possa ser transversal a vários domínios. Estas competências são imprescindíveis para alcançar o sucesso e lidar futuramente com problemas complexos. É através da criatividade que encontraremos respostas novas para os desafios que ainda estão por vir e a prática desportiva pode funcionar como um agente facilitador do comportamento criativo.